Flávia Maia, coordenadora de sustentabilidade e resiliência da Agenda 2030 em Teresina, departamento vinculado à SEMPLAN, participou na última semana de um módulo do curso da Rede de liderança feminina da Universidade de Columbia, em Nova York. Na ocasião, ela e o seu grupo apresentaram um projeto que visa melhorar o monitoramento de indicadores dos objetivos do desenvolvimento sustentável (ODS) da Agenda 2030, com foco na equidade de gênero.

Flávia e colegas do Banco Central, da Controladoria Geral da União e da Prefeitura do Rio de Janeiro, trabalharam em cima da dificuldade dos governos locais e da ONU para acompanhar dados do ODS 5 — Equidade de Gênero, que faz parte do conjunto de 17 objetivos acordados pelos países membros das Nações Unidas, a serem alcançados até 2030.

O grupo está desenvolvendo uma solução para esta dificuldade, que tem impacto direto no desenvolvimento de políticas públicas. “O que a gente identificou, que é um problema de Teresina e todos os governos locais do Brasil, é uma dificuldade de coletar e monitorar dados que nos permitem alcançar um desenvolvimento mais sustentável e resiliente. Nossa proposta é uma metodologia de governança da informação, que permita aos servidores, mesmo em um cenário de poucos recursos, levantar dados, monitorar estes dados em conjunto com a população, e assim alcançar os objetivos do desenvolvimento sustentável”, conta Flávia.

Ainda em desenvolvimento, a metodologia busca utilizar a tecnologia como forma de ampliar a obtenção, monitoramento e divulgação de dados relacionados aos indicadores de equidade de gênero, através da criação de bancos e serviços de dados abertos. “Na região da América Latina e do Caribe, inclusive no Brasil, os governos locais não tem conseguido produzir indicadores suficientes, atualizados e com parâmetros comparáveis, que permitam a ONU monitorar o desenvolvimento sustentável. Quando colocamos a lente de “gênero” isso salta os olhos. Segundo o último relatório da ONU Mulheres, contados três anos da assinatura da Agenda 2030, ainda há uma significativa lacuna de gênero nos dados, em todo o mundo. O Brasil tem mais de seis mil municípios, a maioria com limitações técnicas e educacionais para monitorar esses indicadores. Então usar tecnologias digitais de baixo custo e que não exijam muita capacidade técnica é um passo importante”, explica a servidora.

O projeto deve ser apresentado até o fim do curso, em março de 2019, e o exemplo de Teresina servirá de roteiro para outras cidades de países em desenvolvimento que queiram replicar a metodologia e utilizar os softwares, que serão lançados em formato aberto.

A Universidade de Columbia selecionou e ofereceu uma bolsa de estudos para 20 servidoras públicas do Brasil das esferas municipais, estaduais e federais, com o objetivo de aperfeiçoamento nas suas diversas áreas de atuação. É uma forma de capacitar mulheres para participarem ainda mais ativamente na elaboração de políticas públicas. “A ideia é que ao longo de um ano essas mulheres se conectem e recebam treinamento em liderança, inovação, oratória, negociação, e consigam trazer o seu conhecimento para reproduzir na sua esfera de atuação profissional”, explica Flávia.

O Secretário municipal de Planejamento e Coordenação, José João Braga destaca o investimento feito pela Prefeitura de Teresina na capacitação de seus servidores. “Ao investir em quem trabalha nas rotinas diárias, a Prefeitura está investindo na melhoria do serviço público, o que se reflete diretamente na qualidade do que é oferecido à população”, finaliza.

Agenda 2030

A Agenda 2030 é um acordo global assinado por todos os países membros da Organização das Nações Unidas que estabelece 17 objetivos de desenvolvimento sustentável para serem alcançados até o ano de 2030, como a equidade de gênero, a erradicação da pobreza, o desenvolvimento de cidades sustentáveis, redução das desigualdades, fome zero a agricultura sustentável, entre outros.

Teresina foi a primeira cidade do Brasil a criar um departamento especificamente voltado para cumprir a Agenda 2030, que combina estratégias de governo aberto e cidade inteligente, e auxilia as demais secretarias municipais, a iniciativa privada e a sociedade civil a desenvolverem suas ações de acordo com os objetivos determinado pela ONU.

 

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