O mês de setembro marcou o início das obras no Residencial Parque Brasil, onde a Prefeitura de Teresina e o governo federal, através do programa Minha Casa Minha Vida, irão construir 1.022 unidades habitacionais, que serão destinadas para famílias reassentadas para intervenções do Programa Lagoas do Norte. Este conjunto habitacional, no entanto, não será igual a outros empreendimentos do MCMV na capital piauiense. O projeto, desenvolvido em parceria pelos arquitetos do PLN e empresa contratada pela Prefeitura com recursos do Banco Mundial, mostra características únicas que priorizam a ocupação do espaço urbano, a mobilidade, acessibilidade, acesso aos serviços públicos e drenagem urbana, garantindo mais qualidade de vida para a população.

A principal diferença é em relação ao uso misto, ou seja, o residencial não servirá apenas de moradia, mas terá também espaços de comércio, educação e lazer. O objetivo é permitir que as pessoas circulem e façam suas atividades dentro do próprio residencial, mantendo as ruas ocupadas, a vizinhança vibrante e evitando o fenômeno conhecido como “bairros dormitório”, de onde as pessoas saem para trabalhar e voltam apenas para dormir.

Projeto contempla moradia, lazer, mobilidade e comércio

Para estimular o comércio, a distribuição dos lotes irá respeitar a vivência prévia das famílias reassentadas, garantindo que pessoas que já possuíam renda ligada ao setor recebam lotes localizados estrategicamente com terreno que permita uma ampliação da casa além da parte residencial.  “Nós atendemos às famílias que hoje desenvolvem atividades de comércio e serviços onde elas moram. Os terrenos disponibilizados para essas famílias serão um pouco maiores, de forma a permitir que elas possam construir mais um cômodo para exercer a sua atividade”, conta o arquiteto Sebastião Ferraz, da equipe do PLN.

As residências serão construídas dentro do padrão do MCMV, com sala, cozinha, banheiro, área de serviço e dois dormitórios, com piso cerâmico, paredes de alvenaria com revestimento interno e externo, pintura e telhas cerâmicas. Lotes maiores, com possibilidade de ampliação para um terceiro dormitório, também serão destinados às famílias com mais membros. Serão construídos apartamentos em prédios de três ou quatro pavimentos, para famílias menores.

“Nesse sentido, percepções e vivências cotidianas da população, costumes, produção econômica e laços de parentesco ou afinidade, são aspectos que foram levados em consideração no desenho do residencial. Casas para morar, casas de uso misto (moradia e comércio) e edifícios multifamiliares foram as tipologias adotadas para atender particularidades de cada família, ampliando o grau de satisfação e incentivando a permanência das mesmas na nova localidade”, explica Nélcia Beatriz, também arquiteta do PLN.

O residencial será construído em uma área localizada há apenas 4 Km de distância da região de atuação do Programa Lagoas do Norte, resultado de uma busca da equipe que procurava uma forma de afetar da menor forma possível o estilo de vida dos reassentados, que poderão permanecer próximos aos locais onde já residiam e possuem seus laços.

Terreno está sendo preparado para início da construção do residencial

“Um diferencial é que a prefeitura conseguiu um terreno próximo ao local onde essas famílias habitam hoje, ou seja, não há uma transferência de famílias para locais tão distantes, que é o que normalmente ocorre em programas da mesma natureza. Isso para nós tem um valor muito grande”, diz Ferraz.

Outra vantagem da localização é que, inserido dentro do perímetro urbano e não nos extremos da cidade, o residencial contará com a infraestrutura já existente na região, como transporte público, fornecimento de água, iluminação, além das ligações de esgotamento sanitário e da drenagem da água das chuvas.

A mobilidade e acessibilidade foram outros pontos importantes considerados no projeto. As vias foram desenhadas de forma a facilitar o trajeto do transporte público e veículos próprios, integrando o residencial aos bairros vizinhos. A locomoção individual será facilitada através da instalação de ciclovias e calçadas mais largas, de 2,5m, facilitando o trânsito de pedestres e cadeirantes, de acordo com a legislação de acessibilidade.

“Foi muito discutido a necessidade de que esse novo residencial ficasse mais integrado com o entorno. Com essa preocupação, foram desenhadas vias que podem servir ao transporte público, com ruas mais largas e que permitem a ligação com os bairros vizinhos, além de ciclovias e toda a parte viária respeitando a nossa legislação, como a lei de calçadas”, explica Ferraz.

Por fim, o desenho urbanístico do residencial levou em conta também o lazer e qualidade de vida da população. Um exemplo são as duas quadras circulares que serão instaladas em áreas centrais do residencial, que ficarão reservadas para a instalação de equipamentos públicos como escola, creche, lavanderia e campo de futebol, facilitando o acesso da população a estes serviços.

Ocupando uma área total de aproximadamente 250 mil m², 10% do conjunto habitacional será de áreas verdes, além de um espelho d’água localizado em uma das entradas, que cumprirá uma dupla função. “Essa lagoa ameniza a situação do nosso clima, gerando uma umidade um pouco maior e com um apelo visual, mantendo essa cultura de termos espelho d’água dentro de uma região tão árida como a nossa. Mas não é apenas um elemento paisagístico, também faz parte do sistema de drenagem da região que vai servir para receber a água das chuvas”, explica Nélcia.

“O Programa Lagoas do Norte tem conseguido grandes resultados naquela região, combatendo as inundações que atingiam a população a cada período chuvoso e também em outras áreas. O reassentamento também é uma das grandes preocupações da equipe, e com este residencial conseguimos atender perfeitamente essas famílias, melhorando as suas condições de habitação e em uma área com infraestrutura mais do que adequada”, finaliza o secretário municipal de planejamento e coordenação, José João Braga.

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