O amor de um casal foi eternizado nas ruas do Residencial Jardins do Leste, no bairro Vale Quem Tem, Zona Leste de Teresina. Duas ruas que se cruzam ganharam os nomes de Dona Beêza e Luiz Bandeira da Rocha, que foram sorteados pelo projeto cultural “Se essa rua fosse minha”.

Luiz e Beêza foram casados por mais de 60 anos e tiveram onze filhos, oito biológicos e três adotivos. Durante o casamento, levaram a vida com cumplicidade, amizade e respeito, que transformaram a relação em pura felicidade e levaram os filhos a batizarem o cruzamento de “Esquina do amor”.

Nascida Raimunda Nonata da Rocha, Dona Beêza foi uma mulher que expressava suas opiniões com firmeza e defendia seus pontos de vista. Católica, era sempre presente nas ações da Igreja, dos festejos ao auxílio aos necessitados. Sua casa tinha sempre a porta aberta e a mesa posta. Foi assim que ela construiu fortes laços no bairro São João e foram esses laços de convivência comunitária que lhe concederam o nome da rua no ano de 2016.

Luiz Bandeira da Rocha foi funcionário público. Já aposentado, dedicou parte dos seus dias para ouvir pessoas. Escutava as histórias de vida e sempre tinha algo a dizer. Luiz fez grandes amizades e as manteve até o fim da vida. Sempre verdadeiro, foi exemplo de integridade e honestidade, e essas qualidades proporcionaram que Luiz fosse eternizado com nome de rua.

Por serem tão queridos pela comunidade, suas ausências foram sentidas. Dona Beêza faleceu no dia 12 de setembro de 2007, aos 79 anos, por conta da doença de Parkinson. Luiz faleceu em 3 de dezembro de 2010, aos 88 anos. O casal foi homenageado na edição de 2016 do projeto “Se essa rua fosse minha”, e foram contemplados com ruas que se cruzam. Partiu da família a ideia de colocar a placa que daria um novo significado para aquele encontro, que ficou conhecido como “esquina do amor”.

Maria das Dores, de 68 anos, é a única filha do casal que mora em Teresina. Ao assistir a entrega de placas aos homenageados na edição de 2015, admirou-se e decidiu que tentaria homenagear a trajetória de vida dos seus pais no ano seguinte.

“Quando vi que poderia eternizar os meus pais, não pensei duas vezes. Eu sou muito grata a esse projeto, pois quando lembro que as ruas ficaram para sempre, sinto a presença deles. Minha mãe gostava muito de ajudar, na Semana Santa ela não viajava, pois ficava em casa fazendo comida e distribuindo para os que necessitavam. Papai era do mesmo jeito, muito caridoso e tudo que eles faziam era de coração. Nós, filhos, os temos como inspiração. Sempre busco melhorar e ser como eles eram, pois o legado que deixaram foi a coisa mais importante que tenho na minha vida. Eles foram apaixonados durante toda a vida e tenho certeza de que estão juntos e felizes lá em cima”, disse Maria das Dores.

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